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Murucututu-de-barriga-amarela
Pulsatrix koeniswaldiana (Bertoni & Bertoni, 1901)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Tawny-browed Owl
Habitat:
Florestas e borda de matas
Alimentação:
Pequenos vertebrados e insetos.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco
Endêmico da Mata Atlântica

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Indivíduo adulto. Caraguatatuba/SP, Junho de 2016.
Foto: Willian Menq

Vocalização típica [B] - (gravado por: John van der Woude)

É uma das corujas de grande porte mais registradas da Mata Atlântica, costuma vocalizar com frequência nas primeiras horas da noite. Endêmica do bioma, caça desde gafanhotos até pequenas aves e roedores. Conhecida também como corujão-mateiro.

• Descrição: Possui 44 cm de comprimento e peso de até 481 g (Konig & Weick 2008). Apresenta um disco facial castanho, sobrancelhas brancas ao redor do bico; dorso castanho escuro e cauda com faixas transversais brancas (Konig & Weick 2008). Tem um colar largo da mesma cor e o ventre é de cor clara (dando origem ao seu nome comum) (Birdlife, 2009). É muito parecida com a murucututu (Pulsatrix perspicillata), porém diferencia-se na vocalização, no colar pardo mais largo e na íris castanha.

• Alimentação: Caça durante à noite, capturando besouros, gafanhotos, aves e roedores (Birdlife, 2009). Legal et al (2009) registraram a predação de uma rã-martelo (Hypsiboas ) e de um roedor.

• Reprodução: Ocupa ocos e cavidades de árvores para nidificar, com início da nidificação entre setembro e outubro. Coloca até dois ovos que são incubados pela fêmea, o macho tem o papel de levar alimento para a fêmea e filhotes no ninho. Os filhotes ficam no ninho por cinco semanas, após esse período passam a ficar em poleiros próximos (Sick, 1997; Konig & Weick 2008).

• Distribuição Geográfica É endêmica da Mata Atlântica, ocorre na região sul e sudeste do Brasil (desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul), leste do Paraguai e nordeste da Argentina (Missiones) (Sick, 1997, Menq 2016).

• Hábitos/Informações Gerais: Espécie florestal, habita o interior de matas úmidas primárias ou ainda as matas secundárias e bordas, podendo inclusive se aventurar em clareiras e outras áreas com árvores esparsas (Sick, 1997). Sua abundância parece estar associada a maior densidade de árvores e dossel alto (Menq & Anjos, 2015) (Sick 1997). Responde bem ao playback, geralmente emite um chamado do tipo “Aoooouuuu”. Esse grito de alerta é muito parecido com o da coruja-do-mato (Strix virgata), podendo ser confundido com esta.

Já foi registrada em pleno centro urbano da cidade de Ipanema/MG, pousada no topo de um poste de iluminação com cerca de 6 m de altura, não parecendo se incomodar com a presença de pessoas que passeavam ou que permaneciam no local (Ribeiro & Vasconcelos 2003). Legal et al (2009) também registraram a P. koeniswaldiana em área urbana do município de Blumenau/SC, assim como Sick (1997) que também registrou em área urbana no município de Rio de janeiro. Embora tenha preferência por florestas úmidas (Sick 1997), é provável que os registros em alguns centros urbanos seja por causa de presas que são atraídas pela iluminação artificial.


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Indivíduo adulto. P. E. Caraguatatuba/SP. Junho 2016.
Foto: Willian Menq
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Indivíduo adulto. Pomerode/SC, Julho de 2012.
Foto: Matias H. Ternes
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Indivíduo adulto.
Juiz de Fora/MG, Maio de 2010.
Foto:
Luciano Cunha

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Indivíduo filhote.
Ilhabela/SP, Janeiro de 2012.
Foto: Marcelo Dutra
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Indivíduo jovem. São Luís do Paraitinga/SP, Abril de 2011.
Foto:
Julio C. Silveira
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Indivíduo filhote.
Caraguatatuba/SP, Maio de 2014.
Foto: Willian Menq


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Alimentando-se de um periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris). Outubro de 2009, Lindóia/SP.
Foto:
Thomaz Raso
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Indivíduo adulto. P. E. Serra do
Mar, Caraguatatuba/SP.
Junho de 2016.
Foto: Willian Menq
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Alimentando-se de um beija-flor
no ninho.Ilhabela/SP
Outubro de 2011.
Foto:
Marcelo Dutra

 


:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::



• Referências:

BirdLife International (2009) Species factsheet:Pulsatrix koeniswaldiana. Downloaded from http://www.birdlife.org on 28/3/2010.

Konig, C. & Weick, F. (2008) Owls of the world. Segunda Edição. New Haven, Connecticut: Yale
University Press.

Legal, E.; Cadorin, T. J.; Kohler, G. U. (2009) Strigiformes e Caprimulgiformes em Santa Catarina, sul do Brasil: Registros relevantes e novas localidades. Biotemas, 22 (4): 125-132, dezembro de 2009
ISSN 0103 – 1643.

Menq, W. & Anjos, L. (2015) Habitat selection by owls in a seasonal semi-deciduous forest in southern Brazil. Brazilian Journal of Biology. v. 75(4.1):143-149.

Menq, W. (2016) Aves de rapina da Mata Atlântica - Aves de rapina Brasil (publicações online). Disponível em: <http://www.avesderapinabrasil.com/arquivo/artigos/avesderapina_mataatlantica.pdf> Acesso em setembro de 2016.

Ribeiro, R. C. C.; Vasconcelos, M. F. (2003) Ocorrência de Pulsatrix koeniswaldiana e de Nyctibius grandis em área urbana no leste de Minas Gerais, Brasil. Ararajuba 11 (2): 233-234.

Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/pulsatrix_koeniswaldiana.htm > Acesso em: