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Caburé
Glaucidium brasilianum (Gmelin, 1788)

Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
Nome em inglês:
Ferruginous Pigmy-owl
Habitat:
Florestas, borda de matas e savanas.
Alimentação:
Aves, lagartos e anfíbios.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Caburé (indivíduo adulto). Ribeirão Cascalheira/MT, Nov 2013.
Foto: Willian Menq


Vocalização típica (B) - (gravado por: Robin Carter)

Apesar de pequena, é uma astuta caçadora de aves, capaz de capturar presas maiores que seu próprio tamanho. É ativa tanto à noite quando de dia, costuma vocalizar com frequência, canto na qual causa alvoroço nas outras aves. Uma característica interessante da espécie é um desenho nas penas da nuca que formam "olhos falsos”, que costuma confundir e distrair suas presas. Também  conhecida como caboré, caburé-do-sol, caburé-ferrugem e caburezinho.

• Descrição: Mede de 17-20 cm de comprimento e peso de 46-95 g (Konig & Weick 2008), sendo as fêmeas maiores. Possui duas colorações de plumagem, uma na forma cinza, com a cauda listrada de branco e peito claro bordejado de cinza, a cor dominante de toda a plumagem, e outra na forma ferrugínea, de coloração marrom-avermelhado com a cauda da mesma cor e quase não se distingue as faixas brancas.(Sick, 1997; Antas, 2005). Nas duas formas, a sobrancelha branca se destaca. Apresenta manchas branca estriadas na testa, diferente da G. minutissimum, que possui pequenas pintas claras.

Na nuca existem algumas penas singulares, que se assemelham a dois olhos. Dessa maneira, os "olhos falsos" da cabué confunde qualquer atacante, parecendo estar sempre de frente. Para as aves, isso é suficiente para evitar contato direto. A plumagem avermelhada não possui essa característica ou ela é menos evidente. Conhecida também como caburé-do-sol e caburé-ferrugem (Sick, 1997; Antas, 2005).

• Alimentação: Caça pequenas aves, insetos, lagartos e pererecas. Apesar do tamanho pequeno, são caçadoras hábeis, capturando aves muitas vezes maiores que seu próprio tamanho (Antas, 2005). Lima & Lima-neto (2008) registraram três itens alimentares como parte do cardápio alimentar dessa espécie: anu-branco (Guira guira), andorinha-serradora (Stelgidopteryx ruficolis) e tuim (Forpus xanthopterygius), sendo o anu-branco a maior presa registrada dentre os itens alimentares desta espécie.

Aproveita o comportamento de tumulto (mobbing) para atrair e capturar presas, favorecida pela face occipital (falsos olhos) que pode confundir o ataque de uma ave. Motta-Junior (2007) relatou no sudeste do Brasil, a predação de uma tesourinha (Tyrannus savana) pela caburé. A ave apresentava comportamento de tumulto frente a coruja, e foi capturada durante o evento. Cunha & Vasconcelos (2009) citam mais de cem espécies de aves que são atraídas pela vocalização da espécie durante o dia, principalmente indivíduos da família Tyrannidae, Thraupidae e Trochilidae, demonstrando o potencial de agregação de presas.


Caburé predando rolinha-roxa (Columbina talpacoti). Brasília/DF, Junho 2010.
Foto: Carlos Cândido

Caburé predando joão-de-barro (Furnarius rufus). Miranda/MS, Novembro de 2011.
Foto:
Fabiane Girardi

Caburé predando anu-preto (Crotophaga ani).
Agosto de 2012.
Foto:
Ari Fernando Raddatz

• Reprodução: Não constrói ninhos, utiliza-se de ninhos abandonados de outras aves, como pica-paus ou ocos de árvores. Coloca de 3 a 5 ovos, com período de incubação de 28 a 30 dias. Os ninhegos nascem com 4 g, e são alimentados inicialmente pela fêmea, mas logo passam a ser alimentados por ambos os pais. Os filhotes abandonam o ninho com 24-28 dias, permanecendo pelas redondezas por mais algumas semanas. Com um ano de vida já estão aptos a reprodução (Sick, 1997; Lima & Lima-neto, 2008). Lima & Lima-neto (2008) realizaram o primeiro registro comprovado de "cainismo" em G. brasilianum, onde constatou-se que um filhote foi predado por outros dois irmãos. Bastante territorial, podendo aproveitar a mesma área do ninho por vários anos seguidos.

• Distribuição Geográfica: De ampla distribuição, ocorre desde os Estados Unidos até a Argentina e norte do Chile, incluindo todo o Brasil (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita florestas, borda de matas, várzeas, savanas e campos com árvores esparsas. Também pode ser encontrada em áreas urbanas mais arborizadas. É ativa tanto durante o dia quanto à noite. Responde bem ao playback, canta o ano inteiro, à noite ou de dia, com maior frequência no período reprodutivo, especialmente nas primeiras horas da manhã, e logo ao anoitecer (obs. pess. Willian Menq). São vários chamados, sendo o mais comum um assobio curto, constante e repetido por vários minutos. Ao ser localizada pelas outras aves, é imediatamente cercada e “denunciada”, com pios e voos rasantes para espantar a corujinha do local. (Sick, 1997; Antas, 2005).


Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Agosto 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

Detalhe dos "falsos olhos" na nuca da corujinha-caburé
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

Caburé se alimentando de um anfíbio. Lagoa da Confusão/TO , Out 2009. Foto: Guilherme Silva



Indivíduo adulto. Massapê/CE, Dezembro de 2010
Foto:
André Adeodato

Indivíduo adulto.
Bonito/MS, Agosto de 2010.
Foto:
João J. Martins

Caburé predando uma pequena ave. São L. do Paraitinga/SP. Março 2010. Foto: Ivan Angelo

 


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Del Hoyo, J.A. Elliott, A. & Sargatal,J. (eds) (1999). Handbook of the brids of the world.

Konig, C. & Weick (2008) Owls of the world. 2º ed. New Haven, Connecticut: Yale University Press.

Lima, P. C. Lima-Neto, T. N. C. (2008) O comportamento reprodutivo do caburé Glaucidium brasilianum (Gmelin, 1788) no Litoral Norte da Bahia: um ensaio fotográfico. Atualidades Ornitológicas On-line Nº 141.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap

Motta-Junior, J. C. (2007) Predação de Tyrannus savana, que exibia comportamento de tumulto, por Glaucidium brasilianum, no sudeste do Brasil. Biota Neotrop. vol. 7, no. 2. http://www.biotaneotropica.org.br/v7n2/pt/abstract?short-communication+bn04407022007. ISSN 1676-0603.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Caburé (Glaucidium brasilianum) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/glaucidium_brasilianum.htm > Acesso em: