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Gavião-de-cabeça-cinza
Leptodon cayanensis (Latham, 1790)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano

Nome em inglês: Gray-headed kite
Habitat:
Florestas, savanas e bordas
Alimentação:
Insetos, répteis e anfíbios


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Horto florestal, São José dos Campos/SP, Março de 2008. Foto: Rodrigo dela rosa de souza

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Andrew Spencer)

• Descrição: Mede de 46 a 54 cm de comprimento, peso de 415-455 g (machos) e 416-474 g (fêmeas) (Márquez et al, 2005). Apresenta várias formas de plumagem. Adulto (forma clara) possui asas e cauda longa, dorso preto, barriga e peito brancos e cabeça cinza. A cauda, negra, possui três largas faixas brancas, sendo a mais interna menor e parcialmente escondida pelas penas do ventre. A pele nua das narinas é cinza-azulada, e a íris escura. Adulto (forma melânica) possui todo o corpo preto, podendo apresentar certo grau de estrias mais claras no peito, mais visível nos jovens. Indivíduos jovens apresentam uma grande variação na plumagem (alto polimorfismo) podendo ocorrer fases de plumagem clara e escura. Jovem (forma clara) apresenta dorso preto, barriga, peito e cabeça branca com uma pequena mascara negra em torno dos olhos, podendo apresentar uma pequena mancha preta no alto da cabeça. Jovem (forma escura), alto da cabeça marrom-escuro com laterais de marrom mais claro, dorso escuro com pequenas áreas mais claras; por baixo, barriga e peito branco com estrias verticais escuras. Uma variação extrema, ainda não devidamente documentada, é de indivíduos jovens com plumagem que pode se assemelhar a de um adulto de Spizaetus ornatus.

• Espécies similares: O jovem da forma clara se assemelha ao gavião-pato (Spizaetus melanoleucus), jovem na forma escura e indivíduos melânicos podem ser confundidos em voo com o gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus). Em voo, tem silhueta parecida com a do gavião-caracoleiro (Chondrohierax uncinatus). Na região nordeste do Brasil, nos estados de Alagoas e Pernambuco ocorre o gavião-de-pescoço-branco (Leptodon forbesi), que é muito parecido com esta espécie.



Indivíduo jovem (forma clara).
Foto: Leo Fukui - RJ.

Indivíduo jovem (forma escura).
Foto: Leo Fukui - RJ.

Adulto. Araguatins/TO, Jan 2011. Foto: Cristóvão Silva


• Alimentação:
Apresenta dieta variada, composta por larvas e insetos adultos como vespas, formigas, besouros e gafanhotos, moluscos, além de ovos de aves e pequenos invertebrados (Hilty e Brown 1986). Thorstrom (1997) sugere que o L. cayanensis seja bem adaptado na captura de pequenos répteis. Também pode capturar cobras e pequenos lagartos (Slud, 1964; Ferguson-Lees e Christie 2001). Em Minas Gerais, Ferrari (1990) relatou a associação do L. cayanensis e Ictinia plumbea com um grupo de saguis (Callithrix flaviceps), capturando as cigarras espantadas pelos primatas.

No Peru, em várias ocasiões, Robinson (1994) observou um casal de L. cayanensis levando comida a um ninho. Foi observado sete lagartos pequenos, dois sapos, cinco gafanhotos (ortópteros), uma cobra, duas larvas de  lepidópteros, e um vertebrado não identificado. Em um espécime coletado no Panamá foi encontrando 55 pupas e 38 adultos de uma vespa (Odynerus pachyodynerus) com alguns pedaços de formiga (Azteca sp) (Wetmore, 1965).

• Reprodução: A maioria das informações de nidificação dessa espécie são de estudos realizados por Thorstrom (1997) na Guatemala e Carvalho Filho et al (2005) no Brasil. O ninho é construído com ramos e gravetos de árvores. Coloca de 1-2 ovos brancos manchados de marrons com tamanho médio de 53.1 x 41.5 mm. Thorstrom (1997) e Carvalho Filho et al (2005) observaram a incubação e a entrega de alimento aos filhotes por ambos os pais.

• Distribuição e subespécies: Possui distribuição neotropical, encontrado do México até o Paraguai e norte da Argentina, incluindo todo o Brasil (Sick 1997; Ferguson-Lees & Christie 2001). São conhecidas duas subespécies: o L. c. cayanensis, ocorre do México (Tamaulipas, Veracrez) ao sul até as planícies da América Central a oeste do Equador e da Amazônia; L.c. monachus: ocorre no Brasil central e sul, leste da Bolívia até o norte da Argentina e Paraguai (Thiolay 1994).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  São Paulo: NT - Quase ameaçado (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: DD - Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).

• Hábitos/Informações Gerais: Encontrado em florestas, borda de matas e savanas mais arboróreas, especialmente em áreas próximas a cursos d’água incluindo florestas de galeria e bordas de matas, também pode aparecer em áreas fragmentadas (Thiollay 1994, Ferguson-Lees e Christie 2001). Voa por dentro da mata, assim como pode sobrevoar a grande altura. Apesar do tamanho, movimenta-se com facilidade pela vegetação e é difícil localizá-lo. Nos voos planados coloca-se contra o vento e bate seguidamente a ponta das asas, mantendo parado o restante. É uma espécie residente (não-migratória) porém há alguns indícios que seja um migrante austral parcial como já foi visto em algumas partes da Argentina (GRIN, 2011; Di Giacomo 2005).



Indivíduo adulto em voo.
Cocalinho/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq
Highslide JS
Adulto predando pequeno réptil. Araguatins/TO, Janeiro de 2011.
Foto:
Cristóvão Silva
Highslide JS
Indivíduo adulto. Usina Gurinhatã - Gurinhatã/MG, Novembro de 2008.
Foto:
Estevão Lima



Indivíduo subadulto.
Cocalinho/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq
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Jovem com raríssima plumagem que mimetiza um Spizaetus ornatus. Belterra/PA. Foto: Eleonora Pinheiro
Highslide JS
Indivíduo adulto (forma melânica).
Campinas/SP, Maio de 2009.
Foto:
Guilherme Ortiz

 

:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Bencke, G. A. (2001) Lista de referência das aves do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. (Publicações Avulsas FZB, 10).

Brown L. & Amadon D. (1968) Eagles Hawks and Falcons of the World. McGraw-Hill, New York, U.S.A.

Contreras, J.R., L.M. Berry, A.O. Contreras, C.C. Bertonatti, and E.E. Utges. (1980) [Ornithogeographical atlas of Chaco Province, Republic of Argentina. I. Non-Passeriformes]. Cuadernos Tecnicos Felix de Azara 1:1-165.

Carvalho Filho, E.P.M., G.D. Mendes de Carvalho Filho, & C.E.A. Carvalho. (2005) Observations of nesting Gray-headed Kite Leptodon cayanensis in southeastern Brazil. Journal of Raptor Research 39:89-92.

CBRO (2011) Lista das Aves do Brasil - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. http://www.cbro.org.br/CBRO/listabr.htm (acesso em 03/03/2012).

Dénes, F. V. & Silveira, L. F. (2009) Taxonomia, distribuição e conservação dos gaviões do gênero Leptodon Sundevall, 1836 (Aves: Accipitridae). Início: 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia)) - Universidade de São Paulo, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Di Giacomo, A.G. (2005) [Birds of El Bagual Reserve]. Pp. 202-465 in A.G. Di Giacomo and S.F. Krapovickas (eds.), [Natural history and landscape of the El Bagual Reserve, Formosa Province, Argentina: inventory of the vertebrate fauna and vascular flora of a proteted area of the humid chaco]. Aves Argentinas/Asociación del Plata, Buenos Aires, Argentina.

Ferguson-Lees, J. & D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Ferrari, S.F. (1990) A foraging association between two kite species (Ictinia plumbea and Leptodon cayanensis) and Buffy-headed Marmosets (Callithris flaviceps) in southeastern Brazil. Condor 92:781-783.

GRIN - Global Raptor Information Network. (2011). Species account: Gray-headed Kite Leptodon cayanensis. Downloaded from < http://www.globalraptors.org > on 19 Jan. 2011.

Hilty, S. L. & W. L. Brown (1986) A guide to the birds of Colombia. New Jersey: Princeton University Press.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Parker III, T. A.; D. F. Stoltz e J. W. Fitzpatrick (1996) Ecological and distribucional databases, p. 115-417. Em: D. F. Stoltz, J. W. Fitzpatrick, T. A. Parker III, D. K. Moskovits. Neotropical Birds: Ecological and Conservation. Chicago: University of Chicago.

Robinson, S.K. (1994) Habitat selection and foraging ecology of raptors in Amazonian Peru. Biotropica 26:443-458.

Slud, P. (1964) The birds of Costa Rica: distribution and ecology. Bulletin of the American Museum of Natural History 128:1-430.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Thiollay, J. M (1994) Family Accipitridae (Hawks and Eagles), p. 52-215. Em: J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal (eds.). Handbook of the birds of the world. Vol. 2. New World Vultures to Guineafowl. Barcelona: Lynx Edicions.

Thorstrom, R. (1997) A description of nests and behavior of the Gray-headed Kite. Wilson Bulletin 109:173-177.

Wetmore, A. (1965) The birds of the Republic of Panama. Part I. Smithsonian Miscellaneous Collections 150:1-483

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/leptodon_cayanensis.htm > Acesso em: