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Águias Brasileiras


Harpia (Harpia harpyja) uma das águias mais poderosas do mundo. Foto: Willian Menq

Texto de: Willian Menq
Publicado em: 05 de Fevereiro de 2013

As águias, grandes e poderosas, sempre foram admiradas pela sua imponência, seu voo majestoso e pelas suas habilidades de caça. É um grupo considerado símbolo de força, coragem e independência, é comum vê-las ilustrando brasões de famílias nobres, reinos antigos, cidades e bandeiras de países modernos.

As águias são aves de rapina da família accipitridae, normalmente de grande porte, apresentam bico grande e curvo, garras poderosas e uma excelente visão. Com estas características as águias colonizaram o mundo, são mais de 70 espécies existentes, ocorrendo desde os desertos, savanas, praias até as florestas mais densas e montanhas. Quando falamos de águias, a primeira imagem que vem a cabeça é a da famosa águia-americana (Haliaeetus leucocephalus), que não ocorre por aqui. Mas no Brasil também existem águias tão belas e impressionantes quanto as existentes no hemisfério norte.

Existem oito espécies de águias no Brasil, dentre elas a harpia (Harpia harpyja), considerada a maior e mais poderosa águia do mundo. É uma ave impressionante, as fêmeas pesam pouco mais de 9 kg e 2 m de envergadura. Suas garras são maiores que a do urso-pardo-americano, com unhas que chegam atingir até 7 cm. É uma predadora especializada na captura de macacos e bicho-preguiça. É uma águia florestal muito rara, vive somente no interior de florestas densas e matas de galeria. Pode ser encontrada na floresta amazônica e nas pouquíssimas áreas verdes preservadas de mata atlântica.



Harpia (H. harpyja) fêmea. Candeias do Jamari/RO
Dez de 2011. Foto:
Danilo Mota

Uiraçu-falso (Morphnus guianensis) Paranaíta/MT.
Jan de 2012. Foto:
Christopher Borges

Mais raro que a harpia é o uiraçu-falso (Morphnus guianensis), conhecido também como gavião-real-falso. É tão imponente e poderoso quanto à harpia, só que bem menos conhecido. É também muito semelhante a ela, só que um pouco menor, mais esbelto, sua plumagem possui alguns padrões diferentes e seu penacho apresenta uma única pena, diferenciando-o da Harpia harpyja, com duas penas. O uiraçu-falso é uma águia tímida, vive no interior da floresta e dificilmente voa acima da copa das árvores. Alimenta-se principalmente de lagartos, grandes serpentes além de pequenos mamíferos arborícolas, como ratos, marsupiais e saguis. No Brasil ocorre principalmente na floresta amazônica, conta também com alguns raros registros na mata atlântica.



Águia-cinzenta (U. coronata) Parque dos Pireneus, Pirenópolis/GO, Ago 2008. Foto:Mauro cruz

Águia-chilena (G. melanoleucus). Bagé/RS, Fev 2012.
Foto: José Paulo Dias

Nos campos naturais e pastagens pode ser encontrada a águia-cinzenta (Urubitinga coronata). É uma águia planadora, possui uma plumagem cinza predominante, pode ser observada planando a grande altura junto a urubus. Caça principalmente tatus, gambás, roedores e aves. Ocorre na região central e leste meridional do Brasil, desde São Paulo e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. A águia-chilena (Geranoaetus melanoleucus) é outra espécie planadora comum no Brasil. Possui quase dois metros de envergadura, é dotada de asas compridas e largas e cauda curta. Alimenta-se de aves e pequenos mamíferos. É encontrada em boa parte do país, habita áreas campestres, montanhosas e campos naturais.

Outro grupo de águias-florestais bastante interessante é o das águias-açores, conhecidas como “hawk-eagles” em inglês. É neste grupo que se encontra os gaviões do gênero Spizaetus: o gavião-de-penacho (S. ornatus), o gavião-pato (S. melanoleucus), e o gavião-pega-macaco (S. tyrannus). São espécies de médio a grande porte, apresentam os tarsos emplumados e possuem penachos bem destacados. Habitam florestas e matas de galeria, ocorrem em quase todo o Brasil. São águias ágeis e fortes, perseguem e capturam aves como araras, araçaris e tucanos, capturam também pequenos mamíferos na copa das árvores e no solo capturam iguanas e lagartos. O gavião-de-penacho é o mais difícil de ser observado, vive mais no interior da floresta, caçando abaixo da copa das árvores, raramente plana. Já o gavião-pato e o gavião-pega-macaco se expõem mais, costumam planar alto aproveitando as térmicas, muitas vezes sobrevoando áreas abertas e borda de matas. O gavião-pega-macaco pode voar vários quilômetros em um único dia, em voo costuma vocalizar com frequência.

Todo o ano aparece no Brasil, entre os meses de setembro e abril, a águia-pescadora (Pandion haliaetus). Originária da América do Norte, a espécie migra durante o inverno para a América do Sul, aparecendo em todas as regiões do Brasil. Normalmente é encontrada em grandes rios e lagos à procura de peixes. É uma águia grande, possui 63 cm de comprimento com envergadura de até 1,7 metros.



Gavião-de-penacho (S. ornatus). Equador, Dez. 2010.
Foto: Ian Davies

Gavião-pega-macaco (S. tyrannus) no Panamá.
Foto: Laura L Fellows


Gavião-pato (S. melanoleucus). Porto Maldonado, Peru
Foto: Grace Montalvan

Águia-pescadora (Pandion haliaetus). Florida EUA
Jan 2009. Foto:
Cleber Ferreira

As águias assim como outras aves de rapina são extremamente importantes no equilíbrio do meio ambient. São aves emblemáticas, possuem um forte apelo popular, oferecendo oportunidade de serem utilizadas como espécie-bandeira na conservação dos remanescentes florestais e demais espécies da fauna e flora associadas.